A obra inconfundível do escritor que decifrou a alma do sertão e colocou o Brasil no cenário literário mundial
A edição de 2025 da Bienal Mineira do Livro terá como homenageado o escritor mineiro João Guimarães Rosa, reconhecido como um dos maiores nomes da literatura brasileira. Segundo a curadoria do evento, a escolha reforça a importância do autor para a literatura nacional e sua conexão com Minas Gerais. Marcada pelo regionalismo e pelo domínio das palavras, a obra de Guimarães Rosa segue influenciando escritores e leitores dentro e fora do Brasil.
Guimarães Rosa (1908-1967) é, sem dúvida, uma das figuras mais notáveis da literatura nacional e mundial. Nascido em Cordisburgo, no interior de Minas Gerais, o escritor se imortalizou com a obra Grande Sertão: Veredas, em que trouxe ao público um Brasil profundo, recheado de suas próprias tensões e beleza. Sua habilidade única de combinar o erudito e o popular, o literário e o oral transformou sua escrita em uma especificidade de riqueza e complexidade.
Na edição de 2025 da Bienal Mineira do Livro, celebramos sua vasta contribuição para a cultura literária. Por meio da sua escrita ousada e repleta de sensibilidade, Rosa nos apresentou o sertão como um mundo multifacetado, com suas veredas (caminhos) tortuosos e intransponíveis, e também com suas belezas escondidas, suas alegrias e sofrimentos. O escritor sabe, como poucos, que o sertão “não é só aquilo que se vê”, mas é um espaço de sonhos, de mistérios e de contradições, e, portanto, é um espaço literário.
Em suas palavras, “O sertão é do tamanho do mundo”, Guimarães Rosa nos convoca a uma reflexão profunda sobre a nossa própria existência e a natureza humana. Seus personagens, como Riobaldo, jagunço e filósofo, oferecem um olhar sobre as escolhas da vida, entre o bem e o mal, e sobre o que é “certo” e “errado”. No texto de Grande Sertão: Veredas, um dos maiores marcos de sua obra, encontramos trechos que ficam gravados na memória e que são, até hoje, fonte de inspiração para escritores e leitores do mundo inteiro: “O mundo é feito de escolhas, não de dúvidas.”
Esse olhar único sobre a vida é apenas uma das facetas da escrita de Guimarães Rosa. Seus outros livros, como Sagarana e Primeiras Estórias, também são obras-primas que mostram sua vasta capacidade de transitar entre o conto e o romance, entre a oralidade e a formalidade da escrita literária. Rosa não só retratou o sertão, mas o reinventou, mostrando que a literatura pode ser uma ponte entre o interior e o exterior, entre o rural e o urbano, entre a palavra e o silêncio.
A homenagem à sua obra na Bienal Mineira do Livro 2025 é mais do que merecida. É um tributo a um autor que, com sua obra, transcendeu fronteiras, e cujas palavras continuam a ecoar no imaginário de todos que buscam entender o Brasil e o mundo. Como ele mesmo disse, “O que há de ser, será; mas o que há de ser será outra coisa.”
A importância de Guimarães Rosa vai além de suas palavras. Seu legado também está na forma como desafiou a própria linguagem, criando um universo literário cheio de neologismos, expressões regionais e construções que, muitas vezes, exigem do leitor uma viagem ao coração do sertão para se entender. Ele não escreveu apenas para o Brasil, mas para o mundo, tornando o português uma língua ainda mais rica e multifacetada. Sua obra, complexa e profunda, reflete o próprio movimento de transformação do Brasil no século XX, com seus contrastes, ambiguidades e dilemas.
Em 2025, ao homenagear Guimarães Rosa, a Bienal Mineira do Livro não apenas celebra a obra de um autor, mas propõe um convite à reflexão sobre a nossa identidade. Rosa é, antes de tudo, um espelho que nos permite ver a nós mesmos, um escritor que, ao desvendar o sertão, revela as múltiplas camadas da experiência humana. Convido você a adentrar as veredas da literatura de Guimarães Rosa e se deixar conduzir pelas riquezas e mistérios que somente ele soube traduzir em palavras. A Bienal Mineira do Livro 2025 será, sem dúvida, um encontro de celebração e reflexão sobre o legado eterno de um dos maiores escritores da história do Brasil.
Sobre o Instituto Cultural Vale
O Instituto Cultural Vale acredita que a cultura transforma vidas. Pelo quarto ano consecutivo é o maior apoiador da Cultura no Brasil, patrocinando e fomentando projetos em parcerias que promovem conexões entre pessoas, iniciativas e territórios. Seu compromisso é contribuir com uma cultura cada vez mais acessível e plural, ao mesmo tempo em que atua para o fortalecimento da economia criativa.
Desde a sua criação, em 2020, o Instituto Cultural Vale já esteve ao lado de mais de 800 projetos em 24 estados e no Distrito Federal, contemplando as cinco regiões do país em com investimento de mais de R$ 1 bilhão em recursos próprios da Vale e via Lei Federal de Incentivo à Cultura, a Lei Rouanet. Dentre eles, uma rede de espaços culturais próprios, com visitação gratuita, identidade e vocação únicas: Memorial Minas Gerais Vale (MG), Museu Vale (ES), Centro Cultural Vale Maranhão (MA) e Casa da Cultura de Canaã dos Carajás (PA). Onde tem Cultura, a Vale está. Visite o site do Instituto Cultural Vale: institutoculturalvale.org.
Realização
A Bienal Mineira do Livro 2025 é uma realização do Ministério da Cultura e do Instituto Cultural Vale, viabilizada por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet). O evento conta com o patrocínio prata da Rede Mater Dei de Saúde, que neste ano celebra 45 anos de atuação, e com o patrocínio bronze do Café Três Corações.
Também recebe apoio do Governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Educação (SEE-MG), que além de beneficiar alunos e professores da rede estadual com vales-livros, contribui com ações pedagógicas durante a programação. A Prefeitura de Belo Horizonte também é parceira, por meio das secretarias municipais de Educação e de Cultura e Turismo.
O evento conta ainda com o apoio da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais, Metrô BH, Neooh, Cineart, Faculdades UNA, Jornal Estado de Minas, Portal UAI e Centerminas Expo, além de entidades do setor, como a ABDL – Associação Brasileira de Difusão do Livro, a CBL – Câmara Brasileira do Livro, a ANL – Associação Nacional de Livrarias e o SNEL – Sindicato Nacional dos Editores de Livros.